Divagar

Hoje li uma pequena obra literária genial que, por ser genial, me fez pensar e me levou a reflectir sobre a minha vida. Apercebi-me (já há muito, aliás) que o mundo funciona de uma maneira tal que nos deixamos perder tantas coisas, tantas partes de nós que julgaríamos essenciais quando as tínhamos, e conseguimos continuar a ser felizes. E, no fundo, se podemos ser felizes, não interessa realmente se as perdemos ou não. Embora seja sempre uma perda, dê por onde der.

(amanhã é a partida do Flávio, e eu vou obviamente estar lá. …ainda não fiz a minha. Será que alguma vez a farei?)

(descobri que o Nelson resolveu, quase com Direito no fim, tirar outro curso diferente do qual gosta mais. Mudou de vida e acho que invejo isso. Não porque queira ou precise de mudar também, estou muito bem como estou, mas porque é algo de que, se eu o tivesse feito, decerto me gabaria.)

(sinto falta de escrever da maneira que escrevia antes.)

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Obrigado, irmãos

A Sinai e os seus colegas acabaram o curso de enfermagem, e seguindo as tradições académicas foi hoje feita a Eucaristia de Encerramento para o comemorar. Fui na companhia da Vânia assistir a este momento, e ao entrar naquela igreja nunca imaginei como me iria sentir à saída…

Cheguei atrasado, e o padre já falava quando entrei e tive que ficar de pé por não haver lugares. Esses primeiros momentos foram para mim como outra missa qualquer, mas depois começaram a cantar, como costume. Eu conhecia bem a música, dos meus tempos de escuteiro, e comecei a cantar também… E, logo no segundo verso, fiquei com a voz embargada, senti-me muito estranho e comecei a chorar. Atenção, notem que feliz ou infelizmente eu sou uma pessoa que chora muito muito raramente. A última vez que chorei antes desta foi no dia 18/09/2007, e antes dessa em 08/08/2004 (de felicidade, no fim de uma actividade escutista). Dou-vos esta achega cronológica para sublinhar como o choro deve ser interpretado aqui não como algo banal, mas como o marcador de algo realmente importante na minha vida.

E pronto, chorei com o mínimo estardalhaço que consegui, contive-me com força e sequei as lágrimas quando a música acabou. Depois continuou a missa e começaram a cantar outra vez. E então chorei baba e ranho, de tal forma que tive que sair da igreja para me recompor, e depois de voltar a cena ainda se repetiu mais uma vez.

— Entrei para o movimento escutista com 6 anos de idade, e fui forçado a desistir no início deste ano escutista por ser impossível conciliar o escutismo activo com a vida académica. Foram, assim, 15-16 anos da minha vida, um pouco mais que 3/4 do seu total, que vivi como parte dessa grande fraternidade, onde dei e recebi como irmão, onde cresci, onde tanto aprendi e recebi tanta bagagem e valores que trago para a vida. Sou uma pessoa feliz, e (não esquecendo nunca a fantástica família que tenho em casa) posso dizer que ser escuteiro contribuiu muito para isso. —

Pois bem, hoje a primeira vez que ouvi cantar assim músicas comuns às que cantávamos nas actividades e fogos de conselho e sábados sem reunião, e não consegui caber em mim mesmo de saudades e nostalgia e recordações tão tão boas, tão tão doces, mas que sei que nunca mais voltarei a viver da mesma maneira, pois só hei de ir a mais uma actividade, apenas: a minha Partida.

… mas eu não quero partir.

A vingança do Nutarros

Um bem-haja para o Nutarros.

Aqui há uns tempos eu e o Nobre pregámos-lhe uma partida com caril, em memória da “pernoita do Goês”, um incidente anterior ao alvorecer deste belo blog que, por isso, não foi documentado. Entretanto, em consequência dessa jovial partida, também conhecida como “o pequeno almoço Goês”, que o Nobre ficou de documentar na altura – se ainda não o fez, é certamente porque ainda não lhe foi possível – o Nutarros jurou-nos terrível vingança.

Para com o Nobre, foi uma vingança terrivelmente mal imaginada, que nem merece mais menção. Para mim, foi uma vingança que teria sido terrivelmente fixolas, se não tivesse corrido terrivelmente para o torto. É que ele untou a minha escova de dentes (quase nova) com caril e deixou-a à espera de ser descoberta nessa noite. Tivera eu ficado em Coimbra, e tê-la ia descoberto. Rir-me-ia, pôr-lhe ia pasta dos dentes sem a lavar previamente, e saborearia literalmente a vingança do Nutarros enquanto ele a fotografasse para a pôr aqui no blog.

Mas não fiquei em Coimbra, resolvi dar-me à merecida liberdade de mudar de ares, e, finda a actividade na Drave, resolvi ficar mais duas semaninhas na Marinha, a fazer valer as férias a fingir. Voltei hoje para encontrar a escova de dentes com um aspecto algo alienígena, com aquele ar típico de que já era mais um fungo patogénico que própria a escova onde este se instalara. Os filamentos todos amarelos, na base grãos acastanhados de aspecto arenoso, e um odor pungente e desagradável. Não fazia ideia de onde aquilo tinha saído, e senti-me imediatamente aliviado de não ter dali apanhado nenhuma candidíase ou leucoplasia nesta linda boquinha. Após análise mais cuidada, percebi a etiologia do que acontecera à escova, e fiquei mais descansado. Ainda tentei vigorosamente lavá-la, mas o dano era irreversível. Embora após três lavagens já não parecesse nojenta, ainda era amarelada e odorífera. Pois bem, ficou irreversivelmente estragada, o que significa que o Nutarros quase pisou o risco de entrar no domínio das brincadeiras de mau gosto. Mas o deslize não foi intencional, e dando crédito à ideia original, a partida até teria sido engraçada. Ainda vai ter que me dar uma escova nova, mas por esse mérito, o Nutarros mereceu o meu bem-haja.

Mas é bom que algo assim não volte a acontecer.