Far Rockaway

“Recordo uma conversa que tivemos cerca de um ano antes da sua morte, enquanto passeávamos pelas colinas sobranceiras a Pasadena. Estávamos a explorar um caminho desconhecido e Richard, na altura convalescente de uma grande cirurgia a um cancro, caminhava mais devagar que o habitual. Estava a contar uma história longa e divertida sobre como tinha lido imenso sobre a sua doença, de tal modo que surpreendia os médicos ao prever o diagnostico que iriam fazer e quais as suas hipóteses de sobrevivência. Fiquei a saber pela primeira vez em que medida o seu cancro tinha progredido, pelo que as graças não pareciam ter graça nenhuma. Ele deve ter reparado na minha disposição de espírito, porque, de súbito, interrompeu a história e perguntou: «Que se passa?»
Hesitei. «Estou triste por ires morrer.»
«É verdade», suspirou ele, «isso por vezes também me chateia. Mas não tanto como pensas.» E, depois de ter dado mais alguns passos, continuou: «Quando se chega à minha idade, começa-se por ver que, de qualquer modo, transmitimos aos outros a maior parte do que sabemos melhor.»
Caminhámos em silêncio durante alguns minutos. Chegámos a um local onde um outro caminho interceptava o nosso e Richard parou para inspeccionar as redondezas. De súbito, um sorriso largo iluminou-lhe o rosto. «Eia!», exclamou ele, todos os vestígios de tristeza esquecidos, «aposto que consigo encontrar um caminho melhor de regresso.»
E assim fizemos.”

– in O melhor de Feynmann

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O Miguel é excepcionencial

Apresento-vos o Miguel. O único do género; capaz de elevar a sua própria fasquia.

Referência: Comentário in “20 de Maio”

“Albert, who is this Miguel creature? Find what kind of food it eats.. i shall hunt one!”

Obrigado

A Internet é enorme.

E o nosso blog nesta interminável blogosfera sem fim, é praticamente uma agulha num palheiro assassino infernal do inferno. Que, como devem imaginar, é muito mais assustador que um palheiro qualquer.

Face a esta constatação, o nosso humilde Os 3 da 6+1 teria razões para se sentir pequeno, reles e largamente insignificante – mas em vez disso, sentimo-nos grandes (pronto, reles também, vá lá). Porquê? Porque é que neste desesperante salto para o vazio sabemos que iremos triunfar?

É por causa de vocês. Vocês que nos vão visitando de vez em quando para ler as novidades parvas que lá vamos oferecendo. Que acompanham a nossa jornada de crescimento num agreste ambiente de desinteresse e oblívio. Que, ao fazê-lo, nos dão força.

Por isso, queremos agradecer-vos por nos lerem, por nos acompanharem. E queremos deixar um agradecimento especial para quem nos deixa comentários, que são a dose XL de pujança e reforço ao ego de quem bloga. Por isso, obrigado Nela, PattyQ, Miguel/Nobre, ana brito, leonel, Tina, Isabel, Löba, Tony, Cash, Pedro (Jesus), Bá, morgan, Vânia, e helena.

Espero que continuem a deambular por este estranho espaço espalhaço, e que continue a ser uma experiência que valha a pena comentar.

Até mais.

WC Power

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20 de Maio

(Os 3 da 6) +2

Ó Pedro, já te avisei para não mandares água para fora do lavatório! Vês o que acontece? Vês !?

Não quero que vos falte poesia, da boa!

Pedro…Deixaste de ser o único dos 3 da 6+1 a postar bela poesia. Obviamente que não é da minha autoria, se bem que me orgulharia se o fosse. Posso-vos adiantar que foi um mail que recebi e, como não gosto de mandar mails, posto o belo do poema aqui no blog. Quem quer lê, quem não quer (se conseguir resistir à tentação), não lê! Aqui vai disto!

Noite de Amor

Satânico é meu pensamento a teu respeito,

e ardente é meu desejo de apertar-te em minhas mãos,

Numa sede de vingança incontestável pelo que fizeste ontem.

A noite era quente e calma,

Eu estava em minha cama quando, sorrateiramente,

te aproximaste.

Encostaste teu corpo sem roupa no meu corpo nu,

sem o mínimo pudor.

Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim

e mordeste-me sem escrúpulos

Até nos mínimos lugares.

Eu adormeci.

Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente,

Mas em vão.

Deixaste no meu corpo e no lençol provas irrefutáveis

do que entre nós ocorreu durante a noite.

Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama,

Te esperar.

Quando chegares, quero agarrar-te com avidez.

Quero apertar-te com todas as forças de minhas mãos.

Não haverá parte do teu corpo em que meus dedos não passarão.

Só descansarei quando vir sair sangue quente do teu corpo.

Só assim, livrar-me-ei de ti…

Mosquito , filho da mãe!

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Infinito

“(Se uma paliçada esconde outra paliçada, que por sua

vez esconde outra e assim por diante até ao

infinito, percebe-se que não há nada para esconder,

mas disso nunca teremos a certeza).”

– Manuel Afonso Costa (1949), Caligrafia Imperial e Dias Duvidosos